sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Hoje à noite vai ser bom demais!

           Para quem ainda não tem compromisso para a noite de hoje, uma opção interessantíssima é a festa que acontecerá no Pinheiro Society, Quixadá, com as bandas Forró do Muído e Forró dos Plays. Tudo indica que será uma megafesta e eu estarei lá acompanhada de parentes queridos. 
       Vamos!


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Como saber se seu aluno entendeu o que leu?


A boa leitura ajuda o estudante a ter um melhor desempenho na vida escolar. Porém, para que o aluno torne-se um bom leitor é necessário haver um trabalho criterioso e avaliado, constantemente, pelo educador que o acompanha. Primeiramente, é necessário analisar os assuntos que os alunos sabem ou têm curiosidade de conhecer e depois sondar o texto, em conjunto, para adicionar algumas informações que, porventura, estejam faltando.

Para que a leitura seja bem feita, o leitor deve compreender o que há nas entrelinhas, fazer questionamentos, dar sua própria opinião e integrar as novas informações com as que ele já tem, sem se distanciar da ideia principal do texto. Para isso, é importante que o professor saiba elaborar questionários que levem os alunos a expressarem o que foi lido, com suas próprias palavras, sem, necessariamente, copiar pedaços do texto.

Usando a criatividade, o professor pode desenvolver diversas técnicas para tornar seus alunos bons leitores. Pode, por exemplo, incentivá-los a levarem livros para casa, lê-los e discuti-los em sala, fazer rodas de leitura na própria sala de aula, confeccionar convites e/ou escrever cartas, para desenvolver a habilidade da redação, dentre outras. Dessa forma, o professor tem a oportunidade de ir acompanhando e avaliando seus alunos, já sendo possível observar se tais medidas estão dando certo, tendo resultado ou se precisam ser mudadas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dia dos Namorados Macabro 3D


Direção: Patrick Lussier (I)
Roteiro: Todd Farmer,Zane Smith
Elenco: Kevin Tighe (Ben Floey), Jaime King (Sarah Palmer ), Jensen Ackles (Tom Hanniger), Kerr Smith (Axel Palmer), Betsy Rue (Irene), Edi Gathegi (Martin), Tom Atkins (Burke), Megan Boone (Megan)
Estreia no Brasil: 13/03/2009

Sinopse
Dia dos Namorados Macabro 3D acompanha a lenda de Harry Warden, um mineiro que aterroriza a pequena cidade de Harmony, nos EUA, a fim de vingar-se depois de ter sido soterrado sob a mina de carvão em pleno Dia de São Valentim, equivalente ao Dia dos Namorados nos EUA e comemorado em 14 de fevereiro.

Tom é filho do dono da empresa mineradora e um dos sobreviventes do crime, conhecido como o Massacre do Dia dos Namorados, quando Warden mata 22 pessoas. Ele foge da cidade para tentar esquecer os acontecimentos, no entanto, dez anos depois, Tom volta para se desfazer da empresa após a morte do pai. O que ele nem seus antigos amigos e desafetos imaginavam é que Warden também “parece” voltar a atacar na pequena cidade, desencadeando mais um massacre em pleno Dia dos Namorados.

Além disso, o roteiro explora um triângulo amoroso que se forma entre o protagonista, Sarah, sua antiga namorada de adolescência, a qual ele abandonou quando saiu da cidade após o primeiro massacre, e o atual xerife, o valentão Axel.

Para os fãs de filmes de suspense/terror, Dia dos Namorados Macabro 3D é uma ótima opção, pois o mesmo é recheado de cenas tensas e aterrorizantes. Há sangue e morte por todos os lados, já que se trata de um serial killer, e o suspense só acaba no último minuto da trama. É um filme é realmente muito bom, por isso eu o recomendo. Assista!

Confira algumas imagens:









segunda-feira, 26 de outubro de 2009

MULHER AO ESPELHO


Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho

Cecília Meireles

domingo, 25 de outubro de 2009

Mudança de visual

Só para descontrair...

Mudei de visual...

O cabelereiro é um gato: meu irmão...

E ele vai me "matar" quando souber que postei isso!

Vejam:







sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Moça Tecelã


           Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
           Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
           Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
           Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
          Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
          Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
          Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.
          Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
          Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
         Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.
         Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
         Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
         E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
         — Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
         Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
         — Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
        Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
        Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
        — É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
       Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
       E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
      Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
       Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
       A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
       Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
                                                                                                                                  Marina Colasanti



Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009


“Tem uma hora que bate
Uma tristeza tão grande
Que eu não sei o que fazer
E nem pra onde ir
É tanta coisa
Que eu queria dizer
Mas não tem ninguém pra ouvir
Então choro sem ninguém ver
Eu choro
Faço o possível pra segurar a cabeça
Mas a emoção não quer
Que eu me desfaça
Ou então que eu esqueça (...)
(...) E eu choro (...)
(...) Eu choro(...)”

Fábio Júnior





quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Vírgula

A vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.


Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.


Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.


Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.


E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.


Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.


A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.


Uma vírgula muda tudo.
Já que todos são contra eu não sou a favor.
Já que todos são contra, eu não, sou a favor.


E a vírgula pode mudar opiniões pessoais…
OPINIÃO DE UM HOMEM:
- Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher andaria de quatro à sua procura…
OPINIÃO DE UMA MULHER:
- Se o homem soubesse o valor que tem a mulher, andaria de quatro à sua procura…

(ABI – Associação Brasileira de Imprensa: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Associação Grão de Mostarda

Hoje foi o último dos 15 dias que passei lecionando na Associação Grão de Mostarda, localizada no bairro Campo Velho, Quixadá. Estive duas semanas nessa instituição acompanhando alunos do Ensino Fundamental, trabalhando alguns gêneros literários e analisando o nível de leitura dos discentes com o objetivo de colher dados para redigir minha monografia de final de curso, que será sobre a formação do leitor.

Foi uma experiência marcante!

A diretoria da associação me recebeu muito bem e eu pude desenvolver o meu trabalho com total liberdade e autonomia. As crianças foram maravilhosas, apesar de apresentarem várias deficiências escolares, o que é muito comum hoje em dia.

Gostaria de deixar registrado que fiquei encantada com o trabalho realizado pela Grão de Mostarda, pois mesmo ela sendo uma associação de pouquíssimas condições financeiras consegue fazer verdadeiros prodígios. O milagre da multiplicação realmente acontece por lá. Por isso se você tiver interesse em conhecê-la melhor, por favor, ligue para o número (88)3412-1877 ou dê uma passadinha na Rua Santa Edwirgens, 603, Campo Velho, Quixadá-CE, que você, com certeza, será muito bem acolhido e voltará outras vezes. Sua contribuição poderá ser, também, de outras formas, dentre elas depósito bancário pelo Banco Bradesco, AGÊNCIA: 1593-8, CONTA CORRENTE: 0009198-7 .

Como já mencionei, hoje foi meu último dia de atuação na AGM e eu fui surpreendiada com uma linda festa que fizeram em minha homenagem. Nossa: foi espetacular! A diretoria e as crianças se reuniram e prepararam um evento bem interessante, fizeram apresentações artísticas e uns discursos. Amei tudo. Eles tiveram consideração pelo trabalho e isso é gratificante!

Eis os meus sinceros agradecimentos a todos que fazem a AGM, especialmente a essa turma magnífica:  Adailton, Alex, Fátima (presidenta) e Regiane.   

Veja alguns momentos da festa:








quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dia do PROFESSOR


" Professor é o sal da terra e a luz do mundo. Sem vós tudo seria baço, e a terra escura.
Professor, faz de tua cadeira a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério, ele te elevará à magnificência...
... Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Melhor professor nem sempre é o de mais saber e, sim, aquele que, modesto, tem a faculdade de manter o respeito e a disciplina da classe."
                                                       Cora Coralina
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As bolas de papel na cabeça,
Os inúmeros diários para se corrigir,
As críticas, as noites mal dormidas...
Tudo isso não foi o suficiente
Para te fazer desistir do teu maior sonho:
Tornar possíveis os sonhos do mundo.
Que bom que esta tua vocação

Tem despertado a vocação de muitos.
Parece injusto desejar-te um feliz dia dos professores,
Quando em seu dia-a-dia
Tantas dificuldades acontecem.
A rotina é dura, mas você ainda persiste.
Teu mundo é alegre, pois você
Consegue olhar os olhos de todos os outros
E fazê-los felizes também.
Você é feliz, pois na tua matemática de vida,
Dividir é sempre a melhor solução.
Você é grande e nobre, pois o seu ofício árduo lapida
O teu coração a cada dia,
Dando-te tanto prazer em ensinar.
Homenagens, frases poéticas,
Certamente farão parte do seu dia a dia,
E quero de forma especial, relembrar
A pessoa maravilhosa que você é
E a importância daquilo do seu ofício.
É por isto que você merece esta homenagem
Hoje e sempre, por aquilo que você é
E por aquilo que você faz.
Felicidades!!!
                                                           (autor desconhecido)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Desabafo

Algumas pessoas chegam até mim e perguntam como está sendo minha vida depois da separação, há quanto tempo me separei, que motivo me levou a fazer isso, se posso reatar o relacionamento, se ainda amo meu ex-esposo, se já estou namorando, se sofri, se ainda estou sofrendo... O interrogatório é grande!

Pois bem, minha gente, agradeço a preocupação dos amigos verdadeiros que se preocupam realmente comigo, porém, dispenso, totalmente, a curiosidade dos hipócritas que apenas procuram colher informações da minha vida pessoal/amorosa para fazer fofocas!

O que tenho a expor aqui é que estou relativamente bem. Está com quatro meses que me separei e o principal motivo que me levou a tomar tal decisão não é digna de ser estampada no meu blog, através de minhas preciosas mãos. Não há, em hipótese alguma, possibilidade de reconciliação com meu ex-cônjuge, no entanto, não viramos inimigos e só não nos divorciamos ainda por questões burocráticas.

Se ainda o amo!?!?! O amor é algo subjetivo. Já mudei minha opinião várias vezes sobre o que é o amor e ainda não o tenho definido, e não sei se já vivi um grande amor, e não sei se meu grande amor ainda aparecerá... O que sei é que descobri o grande amor que tenho por mim mesma e esse nunca acabará.

Com relação ao sofrimento, eu sofri, evidentemente! Sabe aquela frase: "Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmos eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!"....................?????? RSRSRSRS. Comigo foi mais ou menos assim. Por isso, hoje não tenho mais sonhos, agora tenho metas, objetivos.

A menina que alguns pensavam conhecer virou mulher, atingiu um certo grau de maturidade e não se deixará mais ser manipulada por sentimentos, emoções e fazer escolhas "inúteis". Procurará ser mais racional. Apesar daquela outra frase: "O amor tem razões que a própria razão desconhece", com o meu próximo amor serei o mais racional possível.

No momento, estou namorando apenas a ideia de ser solteira, de sair com os amigos, de curtir minha família, de conversar, de aproveitar as maravilhas da vida e quer saber: estou adorando essa minha nova fase! 

Espero que tenha conseguido me expressar com clareza.

Estava precisando desse desabafo.




O Ateu


Era uma vez, já faz muito tempo, havia um homem que era ateu. Naquele pequeno povoado onde morava não existia nenhum outro ateu igual a ele, de forma que o coitado vivia em grande isolamento. Mas era orgulhoso e não se queixava, mesmo quando se sentia mais solitário, por exemplo, nos dias de domingo em que todo o povo da terra ia ouvir missa e ele ficava vagando entre as árvores da praça; ou na véspera de Natal, quando as pessoas só se preocupavam com o Presépio e com a Missa do Galo. Tocavam os foguetes, os sinos repicavam, todo o mundo se alegrava e ia cear, mas o ateu declinava os convites que lhe faziam: não tendo rezado não se achava com direito à ceia, pois ele por ser ateu não deixava de ser honesto; trancava-se em casa e ficava de vela acesa, lendo um dos seus livros de ateísmo. E, se alguma das pessoas vindas de longe para assistir às festas naquele povoado, estranhava a silhueta do homem solitário a ler junto à fresca da janela e perguntava por que não estava ele na missa ou na ceia, o povo da terra explicava:


- Ele não pode, coitado! É o nosso ateu.


No mais, o ateu vivia como os outros. Trabalhava no seu ofício, plantava couve e orégano no quintal, criava dois cachorros perdigueiros e, à boca da noite, tomava parte na roda dos conterrâneos que conversavam sentados nos degraus do chafariz. E quando a conversa tocava em assunto de religião sempre havia um a observar:


- Você, que é ateu...


Não era para ofender que eles diziam isso, mas só porque era verdade; realmente todos na terra o estimavam, pois sendo ateu, era um bom ateu.


Mas então chegou um ano em que o nosso ateu, por diversas razões, parece que deu para se sentir ainda mais só. Esqueci de contar que ele era solteiro. Embora a cidade alimentasse um certo orgulho em possuir aquela singularidade - um ateu público -, as moças não sentiam coragem de casar com um homem assim marcado e que, mal expirasse, iria decretado para o inferno. Veio uma peste canina e matou os dois cachorros perdigueiros; parecia castigo para mais agravar a solidão do pobre ateu. E os livros dele, de tão lidos e relidos, já não lhe contavam mais nada. De dia, o trabalho ajudava a fazer companhia; e de tarde tinha os amigos. Mas nessas eras antigas os homens eram muito religiosos e grande parte do tempo levavam na igreja: de manhã era a missa, de tarde o terço, de noite a novena e, a qualquer pequena festa, as procissões. E nessas horas numerosas em que toda a gente se metia na igreja, o ateu saía de casa, sentava à sombra do cruzeiro, sentia o cheiro bom do incenso queimando nos turíbulos, e lhe dava uma certa vontade de entrar, de ver o dourado nas vestes dos santos, e escutar o belo latim do padre. Mas continha-se; que diria o povo se o visse lá dentro?


Outras ocasiões de inveja tinha-as nos dias de procissão, quando todos os seus amigos vestiam uma roupa de seda colorida e iam carregar o andor, as varas do pálio ou os tocheiros acesos, e ele ficava nas esquinas, as mãos penduradas dos cotovelos, na sua roupa velha da diária. Então voltava a trabalhar, embora fosse dia de festa, e ninguém se escandalizava com isso, pois todos compreendiam a sua condição de ateu, embora lhe lamentassem a desventura.


E foi aí, na altura do fim desse ano, apareceu uma moça - por sinal sobrinha do padre - que se apaixonou pelo ateu. Como começou ninguém sabe, mas o amor tem disso: vai passando uma moça pela rua, vê um homem que toda a vida viu, e de repente sente um baque no peito e está amando aquele homem. Ele a princípio ficou apenas enternecido ante os olhos que ela lhe punha, tão doces e amigos; mas depois, descobrindo-se amado - ele, a quem ninguém amava -, começou a amá-la também.


E todas as pessoas do lugarejo lamentavam os namorados, sabendo que não podiam pensar em casamento, que o padre não iria entregar a sua ovelhinha inocente às mãos de um ateu confesso.


Assim chegou o Natal e foi arrumado o Presépio e começou a romaria dos visitantes que iam beijar o pé do Menino. E a namorada do ateu deu de teimar para que ele a acompanhasse nessa visita obrigatória. Ele dizia que não e só com muito custo consentiria em entrar na sala e ficar a um canto, enquanto ela fizesse a sua devoção. Mas assim a rapariga não aceitava:


- Que é que custa um beijo? Você não me beija? Ele sorria:


- Mas você é gente, é de carne e eu lhe quero bem. O Menino, como vocês chamam, é um bonequinho de louça.


A moça argumentou que de louça também era a xícara que ele levava aos lábios e não lhe fazia mal nenhum. Ele então alegou o seu amor-próprio. Afinal era o ateu dali, o único. A moça nesse ponto começou a chorar, a dizer que se ele tinha mais amor-próprio do que amor a ela estava tudo acabado. O ateu se assustou com a ameaça e consentiu, embora constrangido. Acompanhou à moça triunfante; entrou na fila atrás dela, enfrentou os olhares de espanto. De um em um, os devotos paravam diante da manjedoura, dobravam o joelho, rezavam uma jaculatória e beijavam o pé do Menino. Chegou a vez da namorada que, feita a sua reverência e dado o beijo, virou-se e sorriu para o seu bom ateu, a fim de o animar. Ele correu o olhar em torno e viu em todos o mesmo ar de animação e esperança. Resolveu-se: dobrou o joelho áspero, curvou a cabeça sobre os pezinhos do santo. E sentiu debaixo dos lábios, não o frio da porcelana, mas o calor da carne, o movimento, a pulsação da carne. Ergueu os olhos assombrado. Encarou o Menino e viu que Ele lhe sorria radioso, e dos olhos lhe saía uma luz que jamais olhos de louça teriam.


Dizem que o ateu caiu no chão, com os braços em cruz, chorando e adorando. E naquela noite de Natal acabou-se o único ateu do povoado.


Mas dizem também que ele não se casou com a namorada. Não podia, pois largou tudo e foi ser frade.
Rachel de Queiroz





Publicado em 1964 no livro "O brasileiro perplexo"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Despedida
























Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. -
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.

Cecília Meireles



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Suely




Suely
Sou e sei
E quem sabe se será
Suely
Sinto é serena
Sereneníssima
Suely
Sendo um sorriso
Que seja sonho
Sempre Suely
Será que sofre
Uma saudade sentida?
Suely
Se santa a letra que te inicia
Só "S" seria
Suely
E se é seu aniversário
Será meu seu parabéns
Por você ser em minha vida
Suely
Se só será soneto
Minha sanidade será sincera
Sou e sei que será
Singela
Suely...


Fagner Freires

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                Fagner Freires é uma pessoa muito especial para mim. Ele é natural da cidade de Itapiúna-CE e iniciou o curso de Letras na FECLESC/UECE em 2005, na minha turma. Foi quando nos conhecemos e ficamos amigos. Fiquei surpresa e feliz quando ele me presenteou com esse lindo poema. É uma poesia magnífica, concordam? Pois é. No entanto, ele não continuou nas letras, decidiu trocá-las pela Matemática e posteriormente pela Fisioterapia. Que interessante!
               O poema faz parte da minha vida, alguns amigos até me apelidaram de "para sempre Suely" e isso me deixa, realmente, muito feliz.
               Obrigada, Fagner!
  
           
   

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Congresso Internacional do Medo


Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

                                                        Carlos Drummond de Andrade

Análise
O poema “Congresso Internacional do Medo” de Carlos Drummond de Andrade pertence à segunda fase do Modernismo brasileiro (poesia), mais especificamente da segunda fase poética de Drummond e apresenta-se em uma única estrofe de 11 versos sem rimas externas. Possui versos de tamanhos variados (sílabas poéticas também distintas) e ritmo longo, tornando-o lento, principalmente por causa das várias vírgulas presentes, que dão ideia de pausa. Percebe-se, também, léxicos que estão presentes no mesmo campo semântico dos sentimentos (“amor”, “ódio” e “medo”) que se distinguem entre si no contexto do poema e podemos observar que “medo” (substantivo abstrato) prevalece porque esse sentimento ganha uma ênfase maior no poema, podendo o título (“Congresso Internacional do Medo”) confirmar isso. A partir desse titulo verificamos que se trata de um sentimento específico não somente do Brasil, mas do mundo como um todo, desse modo o medo, para o poema, é universalizado. O autor recorre, ainda, a elementos do espaço físico, tais como: “sertões”, “mares”, “desertos”, “igrejas”, “túmulos” e “flores”, para enriquecer e dar mais veracidade à sua obra.
O “Eu Poético”, em meio a tantos sentimentos, prefere falar através do “medo”, que é um sentimento que gera angústia, dúvida, desequilíbrio, insegurança e confunde-se, paralelamente, como um pai e seguidor, devido ao contexto social da época, já que o período em que o poema foi escrito estava em clima de guerra mundial, de dor, sofrimento, morte, túmulos e muito medo. Desse modo, o “Eu Poético”, trata o medo como a força que vence e estanca as forças humanas, pelo fato de se estar vivendo num mundo que está em caos, repleto de ditadores, soldados e mortes, contribuindo, tais fatores, para que as pessoas fiquem apavoradas e, conseqüentemente, desequilibradas. Nota-se que esse “eu” que fala, busca sérias transformações sociais e políticas para evitar que o negativo contexto vivido na Segunda Guerra Mundial não se torne uma continuação para os anos seguintes a ponto de nos deixar “amarelos” e inseguros de medo.
Encontramos nesse poema, algumas figuras de linguagem, entre as quais podemos citar a personificação dos substantivos abstratos, especialmente o medo; o uso marcante de repetições, que têm o intuito de chamar a atenção do leitor, já que o medo, como se sabe, foi constante em meados dos anos de 1940 e transformou a vida das pessoas em um verdadeiro caos que é constante tais quais essas repetições. Além disso, verificamos que há os recursos sonoros, que apesar de não haver rimas externas no poema, há rimas internas e a predominância de aliterações, pois a repetição sonora da vogal ”o” é bastante visível (“existe apenas o medo [...] / cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, / cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,”). Outra figura muito presente no poema é a metáfora (“e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.”).